De repente, um silêncio tão bem dito que não entendi mais nada. Ao contrário de outros, alguns silêncios apagam a luz.
Bendita seja a claridade das palavras também quando permitem que dúvidas sejam dissolvidas. Que equívocos não sejam alimentados. Que distâncias não cresçam. Que a confiança prevaleça. Que o afeto não se torne encabulado.
Bendita seja a claridade das palavras também quando ficamos no escuro da incompreensão, tateando as paredes deste cômodo pouco ventilado à procura de um interruptor qualquer que acenda o nosso entendimento.
Bendita seja a claridade das palavras também quando aproximam, em vez de afastar. Quando simplesmente queremos saber o que está acontecendo com as pessoas que amamos simplesmente porque amamos.
Bendita seja a claridade das palavras quando ditas com o coração. Ele sabe como acender a luz.
** Esse texto é da Ana Jácomo. Postei especialmente para um silêncio/olhar que me desnorteou por alguns minutos e me deixou pouco à vontade no meio de uma "sala" com algumas pessoas. Tentei (re)interpretá-lo, em vão... Não cheguei a conclusão alguma. A primeira pergunta: Fiz ou falei algo errado? Muitos questionamentos e nenhuma resposta. Desencanei. Mas li esse texto, gostei, lembrei do ocorrido e preferi postá-lo. Foi a primeira vez que não entendi o seu silêncio... Era repreensão, pergunta, afirmação??? Em todo caso, lembrei ainda dessa citação... "Procure me amar quando eu menos merecer, porque é quando eu mais preciso".


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