Hoje o moço de olhos cor de mar foi embora. Sem despedidas. Não tivemos tempo. Ele me ligou, disse que estava feliz por mim... E depois de algumas palavras, desligamos o telefone. Depois disso não nos falamos mais. Ele se foi, mas antes disse que não esqueceria de mim.
Eu te conheci desde criança, e não há como esconder a minha tristeza, as minhas lágrimas... A sua morte está me causando uma dor irreparável. Queria ficar calada, mandar para algum lugar todas as angústias, as lágrimas... Mas todos os sentimentos se encontram em um lugar bem preciso e de lá não conseguem sair. Apesar de tudo isso, eu só tenho lembranças boas do Senhor, cada sorriso, cada silêncio, cada ensinamento. Na verdade o senhor leva os meus segredos e eu carrego os seus. Obrigada pela confiança e por compartilhar comigo as suas vivências... Acho que a nossa alma carrega/va as mesmas coisas e tais assuntos não precisam ser tocados/falados, mas apenas reconhecidos...
A dura realidade é que nós seres humanos não fomos feitos para vivermos sempre. É difícil aceitar, mas é verdade. Talvez seja por isso que eu esteja escrevendo... É uma tentativa de eternizar por meio da escrita, mesmo mal construída, as emoções que me cercam e me transbordam.
Obrigada por tudo.
Mesmo quando eu tiver bem velhinha, e o tempo produzir falhas na minha memória vou lembrar de você e de todas as conversas que tivemos, de todos os lugares, de todas as músicas... Acredito que Renata também. Meu pai disse a ela, que o Senhor perguntou ontem por nós duas... O resto não precisa dizer né?
Vá em paz.
Terra, 24 de Maio de 2012.






